Senador Marcos Rogério pede convocação urgente na CPI após operação da PF contra governador

Senador Marcos Rogério pede convocação urgente na CPI após operação da Polícia Federal contra governador

Em pronunciamento na CPI da Pandemia, também conhecida como “CPI do Circo”, “CPI da Cortina de Fumaça” e “Tribunal de Renan Calheiros”, o senador Marcos Rogério pediu a convocação imediata do governador do Amazonas, alvo de operação da Polícia Federal nesta manhã: “face ao acontecimento do dia no estado do Amazonas, em face da urgência e da gravidade da situação, faço um apelo a V.Exa. que comunique o governador do estado do Amazonas e o convoque para estar aqui na próxima semana”. O senador explicou: “não sei se temos uma urgência maior do que essa para garantir uma convocação antecipada”.

Neste contexto, o parlamentar explanou: “A operação é contra o desvio de recursos do combate à pandemia. A operação incluiu busca e apreensão na casa do governador do Amazonas, Wilson Lima, e a prisão temporária do secretário de Saúde. Olhe o que pesa de acusação: indícios de que funcionários do alto escalão realizaram contratação fraudulenta para favorecer empresários locais sob orientação da cúpula do governo”.

Outrossim, o congressista voltou a ressaltar o repúdio à forma como a médica Nise Yamaguchi foi tratada por senadores de oposição no decorrer da sessão de ontem: “O sentimento de quem acompanhou essa CPI ontem: o nível de toxicidade e de odiosidade com que foi tratada a depoente, Nise Yamaguchi, no de ontem. Gostaria de registrar que isso não é compatível com o decoro parlamentar, não é minimamente respeitoso e humano (…) Isso faz com que a CPI perca o rumo. Quando alguém atribui a outra pessoa a condição de mentiroso, é um julgamento moral extremamente grave. Só quem não sabe, ou não tem isso como um valor importante faz esse julgamento de maneira tão acintosa como aconteceu ontem aqui”.

Conforme os repórteres Karine Melo e Felipe Pontes, da Agência Brasil, o governador do Amazonas, Wilson Lima, é um dos alvos da quarta fase da Operação Sangria, da Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira (2). Na ação, que apura supostas fraudes em licitação e desvios de recursos públicos durante a pandemia da covid-19, estão sendo cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e seis de prisão temporária nas cidades de Manaus e Porto Alegre, além de sequestro de bens e valores no montante de R$ 22,8 milhões.

As buscas estão sendo feitas na casa de Wilson Lima, na sede do governo do Amazonas, na Secretaria de Saúde, na casa do secretário de Saúde, Marcellus Campêlo. A casa do dono do Hospital Nilton Lins e o hospital também estão na lista. Ao todo, as buscas são realizadas em endereços ligados a 18 pessoas.

Em um dos endereços, ligado ao empresário Nilton Lins Júnior, os policiais foram recebidos a tir*, informou a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, responsável pelo caso na Procuradoria-Geral da República (PGR). “Foi uma situação bastante constrangedora e perigosa lá em Manaus”, afirmou ela na manhã desta quarta-feira (2), durante sessão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

“[Foi a] primeira vez que eu, em 30 anos, vi ocorrer”, afirmou Lindôra Araújo. Como foi uma situação muito sui generis, uma situação que eu nunca tinha visto acontecer, eu achei por bem comunicar”, acrescentou ela.

As diligências desta manhã foram autorizadas pelo ministro Francisco Falcão, relator do caso no STJ, onde o processo tramita devido ao foro privilegiado do governador do Amazonas. O magistrado determinou ainda a prisão temporária de seis investigados, com prazo de cinco dias, bem como a quebra de sigilo bancário e fiscal de 27 pessoas e empresas.

Na manhã desta quarta (2), enquanto os policiais ainda estavam na rua, a Corte Especial do STJ chegou a pautar o recebimento de denúncia contra Lima e outras 17 pessoas. A peça de acusação, assinada por Lindôra Araújo, foi apresentada pela PGR em julho. O julgamento acabou adiado pelo relator a pedido da defesa de Wilson Lima e de outros investigados, que solicitaram mais prazo para analisar os autos do processo.

Segundo a PF, há indícios de que funcionários da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas realizaram contratação fraudulenta para favorecer um grupo de empresários locais para a construção de um hospital de campanha, sob orientação da cúpula do governo do estado. “Esse local não atende às necessidades básicas de assistência à população atingida pela pandemia covid-19, bem como coloca em risco de contaminação os pacientes e os funcionários da unidade”, disse o órgão em nota.

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